.

Santa Bárbara: visita imperdível para quem vem para as Cidades Históricas de Minas Gerais

Localizada a 98 km da capital mineira Belo Horizonte, a cidade de Santa Bárbara é considerada uma região extremamente bonita e charmosa. Algumas ruas, por exemplo, ainda mantêm paralelepípedos colocados há décadas.

Santa Bárbara faz parte do seleto grupo de Cidades históricas do Circuito do Ouro. Como toda cidadezinha histórica, uma igreja central decora o centro. Sua paisagem guarda ares bucólicos, com casas com quintais e telhados antigos.

Tudo isso beirando a belíssima Serra do Caraça – o que torna Santa Bárbara uma das cidades mais bonitas do estado de Minas Gerais e que vale muito visitar. A cidade é bastante tranquila e os habitantes hospitaleiros – ainda que o progresso tenha chegado à região.

Santa Bárbara ainda se destaca por ser habitada por pessoas simples, que fazem questão de preservar os hábitos, costumes e tradições da cidade – ao mesmo tempo em que possui uma rotina cultural agitada.

A História de Santa Bárbara – MG

Santa Bárbara tem sua origem marcada pela fase da exploração mineira do ouro, no começo do século XVIII. Na ocasião, conta-se que o bandeirante paulista, Antônio Silva Bueno, ao explorar um rio, localizado às margens da Serra do Caraça, descobriu, no local, diversas e valiosas minas de ouro.

O bandeirante, então, colocou o nome do rio de Santa Bárbara. Isso porque o paulista havia chegado à região no dia 4 de dezembro de 1704, dia de Santa Bárbara no calendário católico litúrgico.

exploracao de ouro

Mineradores migram para a região

A partir de então, a notícia sobre o achado das minas de ouro às margens de rio se espalhou pela região, despertando o interesse de demais bandeirantes que viviam a procurar ouro e pedras preciosas. Esses mineradores tinham como objetivo encontrar as minas e, assim, enriquecer e, então, passarão a permanecer na região.

Dessa forma, o local passa a ser chamado de arraial de Santo Antônio do Ribeirão de Santa Bárbara. O motivo do nome era porque o santo era uma espécie de padroeiro dos bandeirantes que chegavam, principalmente, do estado de São Paulo. E Santa Bárbara, como já mencionado, pela data em que as minas foram descobertas, no dia 4 de dezembro.

Construções de Igrejas e Capelas

Não passou muito tempo, uma capela foi construída no local. Hoje, a pequenina igreja se trata da Matriz de Santo Antônio, cuja construção data o ano de 1713. De acordo com alguns registros históricos preservados, a região não parava de crescer e recebeu a construção de ouras igrejas e capelas.

Por volta do ano de 1724, então, a região, no dia 16 de fevereiro, recebe o seu alvará como Freguesia de Santa Bárbara. O alvará tinha valor público e teve como seu primeiro vigário o Padre Manoel de Souza Tavares (1724 -1750).

O vigário, na ocasião, não deveria deixar a igreja. Já ao padre conferido como Vigário Encomendado era permitida a transferência para outras Freguesias.

Metade do século XVII: decadência da mineração

Já a partir da segunda metade do século XVII, obviamente, as reservas de ouro passaram a se esgotar devido às explorações. Assim, a região enfrenta uma fase de decaída e as opções de vida passaram a ser a prática da subsistência e a criação de gado.

A exploração praticamente já não existia mais na região, no século XIX. No ano de 1817, o botânico francês Saint-Hilaire, chegou a visitar o local e testemunhou o abandono e registrou os relatos de um dono de diversas casas que estavam desocupadas.

Segundo o proprietário das residências não havia quem se interessasse a alugar os locais e como ele disse, as pessoas não estavam dispostas a habitar as casas nem que fosse de graça.

O médico e geólogo austríaco, João Emanuel Pohl, também esteve na região na mesma época. Ele fala de suas impressões sobre os traços e detalhes das ruas e dos prédios. Pohl considerou a construção da cidade de extremo bom gosto, apesar de estarem malconservada.

A região é transformada em Vila e depois em Cidade

Outro ponto constatado é a região privilegiada geograficamente, que faz com que o arraial tivesse condições para ser considerada uma Vila – como aconteceu no dia 16 de março do ano de 1839, pela então Lei Provincial nº 134. Já as instalações administrativas começaram a serem levantadas no dia 28 de janeiro de 1840.

Com isso, a economia local ganha força. A vila se torna mais notável e no dia 06 de junho de 1858, a local passa a ser uma cidade – através da Lei Provincial nº 881.

Ingleses chegam a Santa Bárbara

No ano de 1861, um grupo de ingleses fundaram a chamada Santa Bárbara Mining Company, que tinha o intuito de reacender as atividades de mineração de ouro, abandonada há anos.

Para isso, os ingleses adquiriram a Fazenda Mina de Ouro do Pari – local que, atualmente, se trata do distrito de Florália. No entanto, mesmo com todo o investimento inglês, a volta da mineração não obteve sucesso.

Já no final século XIX, a cidade Santa Bárbara passa a afirmar a sua importância, sendo um Município da Província de Minas Gerais. E, no dia 12 de novembro de 1878, finalmente, é consolidada como cidade sede de Comarca, autorizada pela Lei 2500.

Com isso, a cidade se separa de Caeté. No mesmo ano, Santa Bárbara já registrava uma população de cerca de 47 mil pessoas – onde 10% delas viviam nas proximidades da sede do município.

As lavouras de Santa Bárbara

Os escravos da região somavam, aproximadamente, 7.160 – o que significava cerca de 6% da população total de Santa Bárbara. Na época, os escravos de dedicavam às tarefas mais pesadas.

Pelos registros históricos também é possível concluir que a lavoura se tratava de um local de subsistência, que se desenvolveu na região e envolvia as pequenas e médias terras privadas, como uma forma de cultivar os espaços que não necessitavam de mão-de-obra pesada.

Acredita-se que, nessa época, exista uma parcela da população que exercia trabalhos remunerados. Também a grande quantidade de pequenos donos de terras rurais e comerciantes, que formavam a classe média da época, detinham condições financeira de investir em pequenos negócios com a chance de crescerem.

Século XX: Santa Bárbara (MG) volta a prosperar

Com a chegada do século XX, a região volta a prosperar. A cidade já é uma das maiores do estado de Minas Gerais e aglomerava, na época, 11 distritos menores:

  • Santa Bárbara,
  • São Gonçalo do Rio Abaixo,
  • Rio São Francisco,
  • São João do Morro Grande,
  • Rio São Francisco,
  • Nossa Senhora dos Cocais,
  • Conceição do Rio Acima,
  • Catas Altas,
  • São Miguel do Piracicaba,
  • Bom Jesus do Amparo,
  • Conceição do Mato Dentro,
  • Brumado,
  • Socorro.

É inaugurada a 1ª estação Ferroviária

Uma nova esperança surge para a cidade, nessa ocasião, com, por exemplo, a volta da força de suas atividades econômicas. No mês de agosto do ano de 1911, é inaugurada na cidade a primeira estação Ferroviária da estrada de Ferro Central do Brasil.

A ponte de ferro, que foi importada da Inglaterra acaba retida na Europa. Com isso, os passageiros são obrigados a chegarem à cidade através de uma ponte de madeira.

Como a ponte de ferro retida na Europa e prevista no projeto da construção da estação, não estava disponível, os passageiros faziam o trajeto por essas pontes de madeira. Elas foram construídas por imigrantes italianos como Lorenzato, Antônio e Sílvio.

De qualquer forma, a inauguração da estação de trem foi um fato importante para a história de Santa Bárbara, fazendo parte ativa do processo econômico no começo do século XIX, por meio de alterações de funções e pela forma que a população de Santa Bárbara se organiza para sobreviver.

Pouco tempo depois da inauguração da estação ferroviária, chega à cidade o telégrafo. A cidade se torna, assim, uma das referências econômicas mais importantes da região.

Mais modernidade à Santa Bárbara

A sede de Santa Bárbara passa a contar com aparados modernos para um melhor funcionamento, como: equipamentos, água encana, luz elétrica – além de um hospital e um grupo escolar.  Trata-se, então, de um período muito importante com para a expansão econômica e política da ocasião.

Na época, a sociedade dividia-se em grupos e um deles se tratava da elite local. O grupo se reunia para debater sobre interesses econômicos e políticos. Além disso, o grupo que formava a elite mantinha um espaço especial na sociedade de Santa Bárbara, por meio da publicação dos jornais Pátria e A Vida.

Afonso Pena como Presidente

Ainda nessa ocasião, a elite de Santa Bárbara consegue empossar Afonso Pena, como conselheiro e o 5º Presidente da República – um momento de extrema importância para o desenvolvimento da região.

Vale lembrar que antes de Afonso Pena, ocuparam o cargo de Presidente da República:

  • Deodoro da Fonseca,
  • Floriano Peixoto,
  • Prudente de Morais,
  • Campos Sales,
  • Rodrigues Alves.

Afonso Pena era de Santa Bárbara e ter um Presidente da República nascido na cidade era um verdadeiro orgulho para os seus habitantes. Obviamente, com Afonso Pena no poder, a elite de Santa Bárbara do estado mineiro conquistou uma visibilidade nacional de destaque notável – até iniciar-se o período imperial, derrubando o sistema presidencialista no país, durante o período compreendido entre os anos de 1906 a 1909.

Governo mineiro e suas decisões

O Governo Estatual tomou duas decisões importantes na ocasião da fase imperial, que impactaram na cidade. O perfil de Santa Bárbara, com isso, passou por uma modificação no início do século.

A primeira modificação, com as determinações estaduais, aconteceu no ano de 1911 – foi quando o distrito de São Miguel do Piracicaba foi excluído da alçada de Santa Bárbara. A segunda modificação vem alguns anos depois, em 1923 – com a abolição do distrito de Mercês de Água Limpa da cidade.

Por volta do ano de 1925, tais transformações começaram a serem notadas pelos habitantes de Santa Bárbara, que tinha, na época, uma população considerada relevante: de mais de 34 mil habitantes. Isso representa cerca de 50% dos habitantes da cidade no ano de 1900.

Santa Bárbara acaba se consolidando como um local onde a produção para a subsistência tinha força, organização e solidez. Por outro lado, a cidade também vinha se tornando um dos centros mineiros atacadistas.

Nas anotações do mineiro e filho de Santa Bárbara, Vítor Silveira, que datam o ano de 1925, ele faz importantes menções sobre a cidade. Entre elas, ele registra a importância do distrito de Santa Bárbara para a população local – oferecendo mais de 30 de comércio, 2 hotéis, 1 hospital, 3 farmácias, 2 panificadoras, 1 grupo escolar e 2 alfaiatarias.

Além disso, ele menciona a despretensiosa, mas importante mineração de metais de extremo valor, como o ferro, o manganês, o ouro, além da excelente qualidade de tintas obtidas do ocre e do óxido de ferro da região.

Vale citar também, que durante essa ocasião, Santa Bárbara também se desenvolveu na atividade pecuária. Isso foi o que possibilitou a presença de um excesso que pode ser exportado de gados vacuns. Já o rebanho de suínos não pode ter carnes exportadas, pois o seu tamanho permita apenas o abastecimento local de carne.

Estação Ferroviária ganha novo prédio

No ano de 1925, um novo prédio para a Estação Ferroviária do município foi inaugurado. A arquitetura empregada na construção usou uma linguagem com traços de ecletismo, mesclando traços e características de diversas escolas arquitetônicas da época – que chamam a atenção até hoje.

A construção, porém, da nova sede ferroviária significava mais do que isso, indicava a consolidação de Santa Bárbara como um importante e relevante centro comercial da região e de todo o estado mineiro.

O escritor Vítor Silveira ainda menciona em suas impressões sobre a cidade os 80 fazendeiros mais notáveis da região. Ele supõe ainda, nas suas anotações preservadas, que a região também contava com muitos outros fazendeiros menores- o que culminou na separação de diversas propriedades do município.

Já no ano de 1943, a cidade de Santa Bárbara acaba perdendo mais alguns distritos: Vocais, Morro Grande e Bom Jesus do Amparo. Por outro lado, essa perda impulsiona novas relações comerciais entre Santa Bárbara e os distritos emancipados da região, como Morro Grande e Cocais.

Intensifica-se o comércio em Santa Bárbara (MG)

Santa Bárbara passa comercializar as suas mercadorias para esses distritos e outras cidades próximas. As mercadorias eram transportadas pelo trem até a região de destino das encomendas.

Enquanto isso, atacadistas de diversas localidades também se beneficiaram com essa retomada das atividades comerciais. Eles passaram a se estabelecer próximo à estação ferroviária, fazendo negócios que contribuíram imensamente para o avanço da economia de Santa Bárbara.

Até o ano de 1950, praticamente nada tinha mudado em Santa Bárbara – o que confirma sua fama de cidade histórica e apegada às tradições. Fora apenas durante a década de 1960 que a economia da cidade começa a se abrir para novos avanços econômicos.

Com a ampliação dos grandes projetos de siderurgia, empregados nas cidades próximas, há um retorno na cidade da exploração do ferro e do carvão vegetal.

A Silvicultura chega à região

Com a chegada da silvicultura na cidade– ciência que se dedica ao estudo das alterações naturais – impulsiona ainda mais o desenvolvimento de Santa Bárbara. No entanto, as terras da cidade ainda pertenciam a uma pequena quantidade de pessoas da elite.

Esses foram alguns dos acontecimentos que fazem, atualmente, de Santa Bárbara uma das cidades mais importantes do Circuito do Ouro e praticamente de todo o estado de Minas Gerais.

Hoje, o município histórico possui 4 distritos: Barra Feliz, Florália, Brumal e Conceição do Rio Acima.

Além disso, a cidade também conta com outros subdistritos e povoados rurais, como:

  • Santana do Morro,
  • Sumidouro,
  • Vigário da Vara,
  • Galego,
  • André do Mato Dentro,
  • Cruz dos Peixotos,
  • Cachoeira de Florália,
  • Barro Branco,
  • Mutuca,
  • Costa Lacerda.

Da mineração até os dias de hoje

Além disso, não se pode deixar de mencionar que toda a história do desenvolvimento de Santa Bárbara contou com acontecimentos igualmente relevantes, como a passagem de alguns habitantes da cidade pelo trajeto entre a corte – que ia do Rio de Janeiro até o centro e o norte de Minas Gerais – a chamada Estrada Real.

E novos capítulos passaram a serem escritos, completando a história de uma cidade que parece não ter final – desde o seu início, passando pela ascensão da mineração até os dias atuais.

A População de Santa Bárbara (MG)

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), até o mês de julho do ano de 2016, Santa Bárbara contava com uma população aproximada de mais de 30 mil habitantes. Além disso, possuía uma área de quase 685 mil km².

A Economia de Santa Bárbara (MG)

Hoje, a economia da cidade tem como atividade principal a exploração e a extração do ferro e do ouro. Grandes e diversas empresas encontram-se na região, em busca desses minérios.

Faz parte ainda das atividades econômicas de Santa Bárbara a produção de mel e seus derivados. Ainda se destaca a produção de celulose (para isso, a cidade participa da ação de reflorestamento das regiões exploradas).

A cidade também se dedica a atividades agrícolas e pecuárias. Além de viver do turismo histórico e ecológico. A região costuma receber pessoas de todos os lugares do Brasil em feriados para o desbravamento de suas vegetações e cachoeiras e para a prática de esportes radicais.

A Educação em Santa Bárbara (MG)

A cidade conta com uma rede de ensino público e privado de qualidade. Santa Bárbara foi uma das pioneiras, por exemplo, em aulas de educação musical em instituições de ensino públicas, por meio do projeto “Música na Escola”.

O município conta com cerca de 17 escolas municipais, 5 escolas estaduais e 4 escolas particulares.

O Turismo em Santa Bárbara (MG)

Como já mencionamos, o turismo impacta bastante na economia da cidade. Afinal, são imperdíveis as atrações históricas, culturais e naturais da cidade. Entre os locais mais procurados pelos turistas estão:

  • Cachoeiras,
  • Casa do Mel,
  • Serra do Caraça (Catas Altas),
  • Roteiro Centro Histórico,
  • Parque Recanto Verde,
  • Pharmacia Sant’Anna (atual Museu do Judiciário Municipal) de D. Nini, século XVIII – Tombada pelo IEPHA e pelo Conselho Municipal,
  • Casa do Mirante, século XVIII – Tombada pelo IEPHA e pelo Conselho Municipal,
  • Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Negros, século XVIII – Tombada pelo IEPHA e pelo Conselho Municipal,
  • Capela de Nosso Senhor do Bonfim,
  • Capela da Arquiconfraria do Cordão de São Francisco,
  • Casarão Afonso Pena ou Casa Grande,
  • Capela de São José, no distrito de Sumidouro,
  • Igreja de Santo Amaro, no distrito de Brumal, século XVIII – Tombada pelo IPHAN,
  • Ginásio Poliesportivo Emília Mendes da Fonseca,Igreja São Manoel (em Bateias),
  • Igreja Nossa Senhora da Conceição e gruta de São Bento, no distrito de Barra Feliz,
  • Largo do distrito de Brumal – tombado pelo IEPHA,
  • Igreja de Nossa Senhora das Mercês,
  • Matriz de Santa Bárbara (Igreja Matriz de Santo Antônio).

O Clima e a Geografia de Santa Bárbara (MG)

O clima da cidade é considerado Tropical de Altitude – o que significa invernos secos e verões amenos e úmidos. A época mais quente da cidade acontece durante o mês de fevereiro e o mais frio, no mês de julho. A média anual é de 17,4ºC.

Já os ecossistemas de Santa Bárbara mesclam características do Cerrado e da Mata Atlântica.

Santa Bárbara (MG): uma parada obrigatória!

Planos para conhecer e visitar as famosas cidades históricas de Minas Gerais? Então, agora, você já tem um dos seus destinos: a tradicional, hospitaleira e charmosa cidade de Santa Bárbara!