O templo dedicado a Santo Amaro é uma confirmação das opulência da época da extração do ouro em Brumal, um dos principais distritos de Santa Bárbara. A riqueza ornamental da edificação diz muito sobre a economia da época, considerada pujante e bastante estável na primeira metade do século XVIII.

Consta em documentos históricos que, em 1727, Amaro da Silveira Borges, morador do povoado, conseguiu licença para iniciar as obras da construção pelos moradores locais, que contribuíram verdadeiramente no propósito de erguer o templo. Naquele período, o distrito era classificado como um arraial populoso, com mais de 200 residentes.

A Igreja de Santo Amaro em Brumal

A empreitada foi bem-sucedida e, em 1738, a igreja já possuía coro, púlpito, altar-mor e altares laterais. O arco-cruzeiro, confeccionado nessa mesma época, acompanha o estilo e se integra perfeitamente à edificação.

No seu entorno, o povoado de Brumal se consolidou e cresceu até que a derrocada do esplendor da fase aurífera começasse a dar seus primeiros sinais. Evidências da estagnação econômica e da decadência urbana tornaram-se visíveis no transcorrer das obras da Igreja de Santo Amaro. A interrupção da ornamentação em alguns painéis que revestem as paredes dá sinais claros dessa fase.

A igreja apresenta planta retangular com nave única. A estrutura autônoma de madeira e paredes em alvenaria de adobe foi assentada sobre embasamento de pedra. Há presença de pau a pique nas paredes superiores das torres, com substituição por alvenaria de tijolos nas diversas restaurações que já foram realizadas.

Um dos destaques na parte interna são os balaústres, entalhados em jacarandá, bem ao estilo barroco da primeira metade do século XVIII. Suas partes arredondadas se destacam com efeitos de movimento, caracterizados pelo uso de bolachas, discos e elementos em forma de pera, solução típica do período. Essa plasticidade visual revela o tratamento esmerado do responsável por sua confecção.

A Igreja Matriz de Santo Amaro passou por diversas reformas e complementações entre meados dos séculos XVIII e XIX. Em 1759, a edificação passou por um processo de substituição de uma parede de adobe por uma de pedra, colocação de esteios, reposição de telhas e pequenos consertos. Outros ajustes e reparos foram realizados em 1764, 1770, 1775, entre 1782 e 1788, 1792 e 1794. Em dezembro de 1874, foi elevado à condição de paróquia.

Já no século XX, em setembro de 1941, a igreja foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, em 1950, passou por um processo de restauração promovido pelo próprio instituo. Em 1989, o conjunto arquitetônico do Centro Histórico de Brumal, que inclui a Igreja de Santo Amaro, foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha).

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