.

Catas Altas (MG): pequena e encantadora!

Catas Altas é um município mineiro lindíssimo, que faz questão de preservar a sua história e cultura. A pequenina cidade, que tem um pouco mais de 240 mil km² e cerca de 5.500 habitantes (de acordo com o censo realizado pelo IBGE, em 2010) faz parte do seleto grupo de municípios que formam o Circuito do Ouro.

A cidade fica localizada aos pés da conservada Serra do Caraça e faz limite com os municípios de Santa Bárbara, Mariana e Alvinópolis. Catas Altas chama a atenção, dentre vários motivos, por conservar a área espinhosa da Serra do Caraça – uma cena incrível de se ver, para quem aprecia história e natureza.

A História e as Origens de Catas Altas

A história de Catas Altas começa por volta do ano de 1694, através da descoberta das riquíssimas minas de ouro – que mais tarde deram o nome atual ao município. De acordo com o pesquisador e historiador, Salomão de Vasconcelos, pouco se sabe sobre quem realmente descobriu a região e fundou a cidade.

Porém, em seus registros preservados, o historiador atribui que, possivelmente, o local teria sido fundado por Domingos Borges, juntamente com fundação do arraial, por volta do ano de 1703

Catas Altas também tem sua história relacionada diretamente com o ciclo da mineração e exploração do ouro, durante o século XVIII – como acontece com muitas das cidades do estado de Minas Gerais.

A origem no nome do município? A versão mais aceita é que ele deriva das escavações profundas que os mineradores realizam no solo, mais precisamente, no alto dos morros da região.

Por curiosidade, Catas é um termo que significa escavação e garimpo. E o Altas se deve as explorações terem sido realizadas nos altos dos morros da área onde, hoje, se localiza a pequena e conservada cidade.

Além disso, as catas, os garimpos, a população local e as minas produtivas ficam nas áreas mais altas da Serra. Segundo escritos de Vasconcelos: “O povo vendo que cada vez mais o ouro estava diminuindo nos leitos dos rios e córregos, e com abundância nas partes altas, diziam: ‘as catas estão altas’, ‘as catas estão ficando em lugares mais altos’, ‘as catas estão em lugares de mais difícil acesso’ “, registrou o pesquisador e escritor.


Notice: Undefined variable: output in /home/serradocaraca/public_html/wp-content/plugins/wordpress-plugin-for-simple-google-adsense-insertion/WP-Simple-Adsense-Insertion.php on line 72

1ª cerimônia religiosa da região

No ano de 1712, acontece na região, o primeiro batismo de um habitante. A cerimônia religiosa foi considerada um marco importante para a população.

O batismo aconteceu em uma capela pequena, onde os fiéis invocavam Nossa Senhora da Conceição.

Já no ano de 1729, iniciou-se a construção de uma igreja maior – que, hoje, é a Igreja Matriz da cidade, substituindo a pequena capela de antes.

Igreja Matriz: 2º fase do Barroco

Aliás, a atual Igreja Matriz da cidade se trata de uma construção muito valiosa para a história e cultura de Catas Altas. Sua construção foi realizada segundo as características da 2ª fase do movimento Barroco.

Por esse motivo, o seu interior permaneceu inacabado – o que atrai a visita de muitos turistas. Os visitantes têm a oportunidade, por exemplo, de conhecer de perto as fases envolvidas na construção do local e toda a sua mescla de cores e nuances.

Atualmente, a Igreja Matriz da cidade se trata de um dos símbolos mais notáveis e importantes da arquitetura do estilo Barroco no país.

Mineração em Catas Altas: esgotamento das minas

Voltando a mineração, Catas Altas era considerada, na época, um dos arraias mais ricos e valiosos e que atraia a maior quantidade de exploradores de vários lugares do país, como os bandeirantes do estado de São Paulo, por exemplo.

Depois de certo tempo, com o excesso de exploração, as minas de Catas Altas acabaram não oferecendo mais tantas quantidades de minérios e ouro. Assim, a região acabou sendo abandonada pelos exploradores.

As mudanças promovidas pelo Monsenhor Mendes no local

Já no de 1868, o Monsenhor Manuel Mendes Pereira de Vasconcelos chega a Catas Altas, com o objetivo de ser o vigário da paróquia da região. O religioso se espanta com o abandono do local e com o desânimo expressado na face dos poucos habitantes que haviam.

O vigário também percebeu que a região enfrentava muitas dificuldades com o seu abandono, devido ao esgotamento das minas. O religioso nota que não existia formas de subsistência para o pequeno povoado.

A baixa população do local sobrevivia à base da doação de tropeiros de arroz, feijão, milho, toucinho e outros alimentos. Frente a essa triste situação ocasionada pela queda do ouro nas minas, o vigário chega à conclusão de que a população da região havia se acomodado com o assistencialismo de outros povos.

O vigário considera que as pessoas da região necessitavam passar por uma grande mudança de comportamento. Ele considera que era preciso, por exemplo, oferecer educação ao povoado e ensinar os métodos de criar um sistema de subsistência, para que as pessoas parassem de depender da caridade de terceiros.

Monsenhor Mendes, então, encontra uma muda de videira americana cultivada na casa de uma das pessoas da região. A partir daí o religioso acredita que é possível que o povoado local comece a produzir, até mesmo o vinho, utilizado durante as missas.

O vigário começa, então, o seu trabalho de retirar aquelas pessoas do assistencialismo. Ele passa a dedicar parte do seu dia orientando as pessoas como plantar e cultivar as videiras.

O povoado aprende quase tudo sobre as videiras: como plantar, como cultivar, como e quando realizar as podas, épocas ideais para a colheita dos frutos e a maneira correta de esmagar as uvas. Também é ensinada a fermentação dos frutos e o acondicionamento adequado das uvas – para que a plantação prospere.

Com isso, o vigário tinha planos do povoado local ocupar o seu tempo ocioso, depender menos da assistência de outros grupos e lucrar vendendo os produtos feitos com a plantação das videiras.

E a ideia deu certo. O religioso e a pequena população conseguiram aumentar consideravelmente a produção inicial das videiras e passaram a obter renda, com a comercialização dos diversos produtos vindos das uvas.

Tanto que, no ano 1884, o Monsenhor Mendes registrou em um manuscrito suas impressões sobre a nova forma de viver da pequena população de Catas Altas. O material recebeu o título de “As noções úteis ao fabricante de vinho” – que continham muitas informações e orientações importantes sobre o vinho e os diversos processos usados no cultivo da planta.

Também deixou registrado o que não fazer para estragar a produção do vinho – desperdiçando todo o cultivo e o esforço dos cultivadores.

Com isso, Monsenhor Mendes ganha espaço na mídia, pela transformação que deu ao local e acaba, também, fazendo com que o vinho produzido por Minas Gerais passasse a ser conhecido em todo o país.

O vinho de Catas Altas fez tanto sucesso, na época, que foi comparado por especialistas com vinhos como o Xerez e o do Porto.

Fora também por meio da produção de vinho que a população de Catas Altas conseguiu recuperar sua autonomia e manter o seu sustento. Algumas pessoas apenas cultivavam as videiras, enquanto outras realizam a fabricação do vinho. Outra parte da pequena população comercializa bebida e, assim, formou-se uma cadeia sustentável de produção, gerando lucro para a região.

Catas Altas e o Vinho de Jabuticaba

As pessoas da região foram além. Ainda no século XIX, elas começaram a produzir o Vinho de Jabuticaba. A bebida ganhou destaque na mídia, por meio de uma reportagem sobre o vinho publicada no Jornal do Comércio – do estado Rio de Janeiro – no mês de fevereiro do ano de 1889.

Em uma das partes da reportagem sobre a bebida, o jornalista chega a afirmar que o Vinho de Jabuticaba de Catas Altas possuía um sabor único, não encontrado em bebidas similares. Com isso, além de tornar o Vinho de Jabuticaba uma especiaria, o conteúdo jornalístico tirou a produção da bebida de Minas Gerais do anonimato nacional.

Além disso, as famosas jabuticabas de Catas Altas também eram usadas para produzir deliciosos licores. A bebida era vendida em casas comerciais do local e seus arredores.

A economia atual de Catas Altas

Atualmente, embora o Vinho de Jabuticaba ainda seja produzido em poucas quantidades, Catas Altas tem como fonte principal de economia a mineração de ferro. Além disso, também conta com a arrecadação vinda do turismo.

Catas Altas é uma das cidades do estado de Minas Gerais, que menos bairros possui. O município de divide nos bairros:

  • Centro,
  • Vista Alegre,
  • Santa Quitéria,
  • Distrito do Morro D’Água Quente,
  • Sol Nascente.

Além das comunidades rurais:

  • Paciência,
  • Valéria,
  • Bitencourt,
  • Mato Grosso,
  • Japonês,
  • Jararaca,
  • Carioca e Córrego da Lage,
  • Satil.

Igreja Matriz: Patrimônio Histórico de Altas Catas

Vale saber que a Igreja da Matriz de Nossa Senhora da Conceição e algumas construções antigas ao redor dela são consideradas como Patrimônio Histórico da cidade – tombadas pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA).

Os traços bucólicos e barrocos da construção, que chamam atenção dos visitantes, fizeram que a Igreja Matriz fosse tombada pelo IEPHA. As construções foram consideradas pelo órgão como parte da história da pequenina cidade e deve, assim, ser mantida conservada e intocável.

Aliás, Catas Altas se trata de uma pequena cidade extremamente privilegiada pela história e pelas particularidades que deram origem ao caráter cultural de sua população. Como alguns historiadores afirmam, visitar Catas Altas é como estar dentro de uma enciclopédia vida da história não só da cidade, mas também do estado de Minas Gerais.

Atrações imperdíveis de Altas Catas

  • Cachoeiras: é uma das coisas que mais atraem turistas para a região. A cidade, apesar de pequena, é repleta de cachoeiras para quem quer apenas admirar esses espetáculos da natureza ou mesmo se arriscar em tomar um banho de águas frias.

As cachoeiras também são atrações para os praticantes de esportes radicais. Uma das mais visitadas, inclusive – Cachoeira da Santa – fica a pouco tempo do centro da cidade e próxima da praça da Matriz.

Ainda se destacam outras esplendorosas quedas d’água, como:

  • Cachoeira do Valéria,
  • Cachoeira do Quebra-Ossos,
  • Maquiné,
  • Chapada do Canga,
  • Vale das Borboletas – que oferece aos visitantes um guia local para o passeio. Imperdível, não?
  • Bicame de Pedra: trata-se de canal subterrâneo muito interessante, que fora construído pelos escravos, de acordo com a História. O aqueduto data o ano de 1792 como o de sua construção.

Na ocasião, o intuito do canal era obter água da Serra do Caraça, transportando-as para as fazendas de mineração, para lavar o outro extraído.

Outro fato interessante é que o Bicame da Pedra foi construído com pedra, óleo de baleia e areia. Na época da escravidão, o local contava com cerca de tinha 13 km de extensão. Atualmente, porém, o ponto turístico tem, aproximadamente, apenas 100 metros, mas que vale muito ser conhecido.

  • Matriz de Nossa Senhora da Conceição: atração imperdível para quem parar na cidade, a igreja é construída no estilo barroco e data o início do século XVIII. Conta-se que o lugar levou cerca de 90 anos para estar como vemos hoje.

A Matriz, porém, como já foi mencionado, não fora acabada em razão da época que a cidade enfrentou o esgotamento das minas de ouro. O acabamento da construção, então, foi realizado com os poucos recursos disponíveis na época.

A igreja, mesmo inacabada, possui um valor incalculável, por guardar obras de verdadeiros gênios da arte barroca como: Alejadinho, Francisco Vieira Servas e Mestre Ataíde.

  • Capela de Santa Quitéria: curiosamente o local é aberto para visitação apenas uma vez no ano, no mês de maio. O local foi construído durante o século XVIII.

No entanto, caso a Capela estiver fechada para visitação é possível que o turista conheça o local onde estão enterrados restos do capitão Edward Hosken. O lugar fica ao lado da Capela de Santa Quitéria.

  • Igreja do Rosário: uma igreja extremamente agradável e pequena, a Igreja do Rosário foi construída pelos escravos.

Conta-se que os negros que participaram da construção do lugar eram aqueles que eram membros do grupo da Irmandade Nossa Senhora do Rosário. Esses, podiam frequentar os mesmos lugares que os brancos de posse.

De acordo com informações impressas na fachada da Igreja, a construção da Igreja data o ano de 1862.

  • Santuário do Caraça: fica na divisa de Catas Altas e Santa Bárbara. O local se destaca por ter sido a primeira igreja construída no estilo neogótico do Brasil.

Fundada no ano de1774, o local se encontra extremamente preservado, possibilitando que o turista admire cada detalhe da construção neogótica do local – que é bem diferenciado das demais igrejas da cidade, cuja maioria possui estilo barroco.

Além disso, o Santuário é cercado por um lindo jardim, onde é possível descansar e relaxar, além de registrar muitas fotos. O local ainda é rodeado por montanhas e cachoeiras, oferecendo uma paisagem inigualável aos visitantes.

E mais! O incrível e belíssimo Santuário também conta com um museu e uma biblioteca, que faziam parte de uma antiga escola que funcionou no local e teve ilustres estudantes como os ex-presidentes Artur Bernardes e Afonso Pena.

Programe-se!

Está com viagem marcada para conhecer as cidades históricas de Minas Gerais e o Circuito do Ouro? Então, não esqueça de Altas Catas – que, com certeza, deixará você encantado e não faltarão fotos belíssimas para guardar de recordação!