Situada no centro da cidade, próximo ao Centro Histórico da cidade, a antiga Estação Ferroviária possui estilo Eclético, sendo considerado um dos maiores patrimônios da cidade.

Uma das construções urbanas que tem muito a contar a história de Santa Bárbara é o conjunto ferroviário, símbolo de um período de expansão econômica, social e cultural no início do século XX. Construído por Afonso Pena e inaugurado em 1º de agosto de 1911, o local testemunhou, por várias décadas, uma movimentação que moldou seu perfil para a era moderna. Por meio dele, o município tornou-se um importante entreposto para receber mercadorias de cidades vizinhas, que dali eram distribuídas para toda a região.

A antiga Estação Ferroviária de Santa Bárbara foi considerada um importante ramal da linha que faz a ligação de Belo Horizonte à cidade de Vitória, no Espírito Santo, por muitos anos.

A via férrea favoreceu um novo impulso que abriu, entre outras vantagens, um importante ponto de contato com a capital Belo Horizonte e a possibilidade de novas relações comerciais. Nessa fase, registrou-se a urbanização e a ocupação mais intensiva do município, com o estabelecimento de atacadistas de várias localidades, a atração de trabalhadores e o ingresso de imigrantes. Com a nova dinâmica urbana, a população beneficiou-se diretamente de melhorias, tais como luz elétrica, água encanada , hospital e o grupo escolar.

O conjunto arquitetônica do complexo ferroviário tem como destaque o prédio ferroviária da estação. A edificação está assentada sobre platô artificial em partido retangular, contornando por plataformas arrematadas nas extremidades por rampas que possibilitam acessar os trilhos que passam por dois lados. Em seu corpo há um hall principal por onde se chega às duas plataformas, ambas abrigadas por cobertura de telhas de zinco metálico, apoiadas sobre mãos-francesas, em perfil metálico de ferro de desenho simplificado.

Sobre as portas internas do hall, observa-se acabamento com vergas em arco pleno, intercaladas por pilastras semientaladas com o mesmo arremate das colunas. Ainda nas plataformas, são encontrados vãos emoldurados por simulacros de colunas circulares com base quadrada e extremidades superiores com cabeças de felino estilizadas.

Em 31 de outubro de 2002, a Prefeitura Municipal de Santa Bárbara decretou que o Conjunto Ferroviário se tornaria Bem Cultural do município e que, a partir daquela data não poderia “sofrer qualquer dano, alteração ou mutilação” sem a autorização do Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural da cidade. Estava estabelecido, assim, o tombamento do Conjunto Ferroviário de Santa Bárbara, pelo Decreto Municipal nº 979.

Estão protegidos não só o prédio ferroviário da estação mas todo o conjunto arquitetônico, do qual também fazem parte a oficina, o prédio do armazém, a oficina da casa do chefe de linha, bem como todas as áreas livres vegetadas e até mesmo o pontilhão de ferro sobre o Rio Santa Bárbara e a ponte sobre o Rio Vermelho. A medida de preservação é atribuída pelo valor cultural, arquitetônico, histórico, filosófico e artístico de todo o agrupamento de itens.

A área total de cobertura do tombamento consiste em 47 mil m², uma faixa de domínio relativo ao trecho entre o distrito de Barra Feliz e o povoado de Costa Lacerda. Também faz parte desse acervo histórico o conjunto de trilhos, os dormentes de madeira de bitola estreita, as placas de apoio e todos os acessórios e equipamentos pertencentes ao conjunto compreendido no trecho entre as duas cidades.

Um pouco sobre a historia da Estação Ferroviária de Santa Bárbara – MG

Em pleno nascimento do século XX, Santa Bárbara vivia um momento próspero, O município, um dos maiores do estado, era composto, na época, de 11 distritos: Santa Bárbara, Rio São Francisco, São Gonçalo do Rio Abaixo, São joão do Morro Grande, Conceição do Rio Acima, Nossa Senhora dos Cocais, São Miguel do Piracicaba, Catas Altas, Conceição do Mato Dentro, Bom Jesus do Amparo, Socorro e Brumado. Um sopro de dinamismo percorria a cidade de Santa Bárbara. As atividades econômicas renovaram-se. Em agosto de 1911, foi inaugurada a Estação Feroviária da estrada de Ferro Centro do Brasil, antes mesmo da conclusão de toda a infraestrutrua necessária. O pontilhão de ferro importado da Inglaterra ficou retido na Europa, obrigando os passageiros a chegarem à cidade por uma ponte de madeira. A ponte de ferro não estava pronta, e quem fez a ponte de madeira foram Sílvio e Antônio Lorenzato e outros italianos.

Com a inauguração da estação, consolidou-se o processo econômico do início do século XIX, com a mudana nas funções e na maneira pela qual a população organizava a sua sobrevivência. Com o trem, chegou o telégrafo.

Enquanto porto seco e final de linha, a cidade floresceu, tornando-se referência econômica da região. A sede do município contava com equipamentos urbanos e modernos, com luz elétrica, água encanada, um hospital e um grupo escolar. É o período da expansão dos negócios e os interesses políticos dos grupos que dividiam a elite local manifestavam-se através de dois jornais da época: A Vida (1906) e A Pátria (1909). Nesse contexto, o melhor momento dos grupos dominantes em Santa Bárbara é a posse do conselheiro Afonso Pena, como sexto presidente da República (antecederam-no Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Prudente de Morais, Campos Sales e Rodrigues Alves). Filho de Santa Bárbara, esse típico representante das elites de Minas Gerais teve uma carreira política notável que começou no império, terminando na Presidência da República no período de 1906 a 1909.

Em 1997, a Estação Ferroviária foi desativada oficialmente, ano no qual recebeu sua última viagem de passageiros.

Atualmente o prédio abriga o projeto Estação da Música.

Confira algumas fotos da Antiga Estação Ferroviária